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08/11/2009
Pode uma emissora de tevê criar um programa e colocá-lo no ar no mesmo dia? Se for no SBT, pode. Foi exatamente isso que aconteceu semana passada. Silvio Santos teve um daqueles "estalos" e resolveu enfiar no horário nobre (22 horas) um telejornal policial. Corre daqui, corre dali, chamaram a apresentadora Joyce Ribeiro, pautaram algumas matérias e pronto: estava feito o "Boletim de Ocorrências". Aliás, tem nome mais apropriado?
O programa tem 15 minutos de duração, e tem conseguido bons índices de audiência - já chegou a beliscar a segunda posição. As manchetes não são difíceis imaginar, coisas do tipo: "Tiros e morte no trânsito", "jovem drogado estrangula namorada", "prefeito preso com crack", "sequestros relâmpago preocupam população". Ou seja: um cardápio bem light antes de dormir, né mesmo?
Única opção
A TV Gazeta tem se dado muito bem exibindo os jogaços da Liga dos Campeões da Europa. Na terça-feira, por exemplo, alcançou o segundo lugar no ibope ao transmitir o clássico entre Milan e Real Madrid. Só ficou atrás da Globo, que exibia "Sessão da Tarde" e "Malhação". Também pudera. Dando uma olhada na programação vespertina das outras redes, o quadro chega a ser desesperador:
SBT: "Casos de Família" e "Programa do Ratinho"
Band: "Márcia" e "Brasil Urgente"
Rede TV!: "A Tarde é Sua"
Record: "Geraldo Brasil"
Ah, se não fosse um futebolzinho de vez em quando...
Preconceito
O caso da prisão do Zina, integrante do "Pânico na TV!", ilustra bem que o tipo de tratamento que grande parte da mídia confere a quem tem problemas com drogas depende da posição social que a pessoa ocupa. Exemplos: O ator global Fábio Assunção é "dependente químico" - e nem na sua entrevista ao "Fantástico" meses atrás ele expôs que seu vício é em cocaína. Já o pobre Zina, coitado, preso com uma cápsula da mesma substância, é "drogado" mesmo.
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