Não tem jeito: basta ocorrer um crime fora dos padrões envolvendo gente famosa e/ou de classe média/alta para que a mídia aproveite e exagere na dose o máximo que puder.
Calhou de, ao mesmo tempo, termos dois casos nessa linha, envolvendo o assassinato de Mércia Nakashima e o desaparecimento de Eliza Samúdio.
Por que as emissoras de tevê não se limitam a dar informações quando, de fato, há alguma novidade a respeito? Mas não, preferem montar um circo de horrores baseado, principalmente, na repetição. Vemos as mesmas imagens e ouvimos as mesmas informações várias e várias vezes - prática na qual o José Luiz Datena, no "Brasil Urgente" da Band, é especialista. Tudo em nome da audiência, obviamente.
Domingo passado foi um exagero. O global "Fantástico" dedicou cerca de 40 minutos ao "caso Bruno". Parecia o finado "Aqui Agora". E o "Domingo Espetacular", da Record, também não fugiu à regra.
Em relação à Globo, porém, a tática não funcionou dentro do esperado, pois a audiência do "Fantástico" não decolou, tendo média de 24 pontos. Bem feito.
Outro detalhe: nessa overdose policialesca, há uma figura que costuma ganhar enorme - e desnecessária - exposição: a dos advogados. Tudo bem que é preciso ouvir as duas partes, porém precisa ir atrás deles a todo momento. Isso faz com que sejamos "presenteados" com um festival de boçalidades, representado no momento por Ércio Quaresma - que defende Bruno, Macarrão e companhia:
"A mãe dela [Eliza] a abandonou em tenra idade. O pai dela é estuprador. Ela era atriz pornô, trabalhava em produções pornográficas, era profissional do sexo", disse ele, como se o histórico de vida da moça justificasse alguma coisa nesse caso escabroso. E falando de alguém que não tem como mais se defender.
A exceção - Neste contexto, mais uma vez o excelente "Profissão Repórter", da Globo, aparece como exceção. A edição de terça-feira enfocou a cobertura do "caso Bruno", fazendo uma comparação com crimes terríveis ocorrido na periferia de grandes cidades que ganham, no máximo, uma nota de rodapé de página no noticiário. Como pobre não dá ibope, melhor deixar pra lá.
|