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A queda de braço entre Dunga e a Rede Globo vai muito além de ser um mero desentendimento entre um treinador e um veículo de comunicação. Na verdade, o destempero do técnico, que xingou o jornalista Alex Escobar, apenas escancarou algo que vem se acumulando há anos.
A Globo não engole o Dunga pelo fato de ele ter acabado com os privilégios que a emissora ostentava junto à CBF, especialmente no que diz respeito a entrevistas exclusivas com os atletas.
No domingo (20), a Globo queria exibir no Fantástico entrevistas com três jogadores. Houve uma negociação direta com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e tudo ficou acertado. Só que o Dunga acabou com a brincadeira, e vetou o negócio.
Aí, na coletiva após o jogo, veio o atrito. E, durante o Fantástico, Tadeu Schmidt leu uma nota, com cara de editorial, afirmando que “O técnico Dunga não apresenta nas entrevistas comportamento compatível de alguém tão vitorioso no esporte. Com frequência, usa frases grosseiras e irônicas”. Mas não se falou nada em relação ao veto às entrevistas.
Curioso que, nessa história, a toda poderosa Globo tem sido vista como vilã. Na internet, por exemplo, foi criado o “Cala Boca Tadeu Schmidt” (depois do “Cala Boca Galvão”), além da campanha “Dia Sem Globo” – com o objetivo de boicotar a Globo na partida entre Brasil x Portugal, incentivando as pessoas a assistir ao jogo em outro canal.
Portanto, Dunga tem dois méritos nessa história: trata a todos da imprensa da mesma forma, sem distinção – mesmo que seja para tratar mal – e sem querer provocou algo inimaginável em outros tempos: mobilizações populares contra a Rede Globo e seu jornalismo.
Porém, deve-se ressaltar um detalhe: Dunga também não é santo. O descontrole emocional que apresenta por causa da pressão que sofre não se justifica. Todo e qualquer treinador, não só na seleção brasileira, é pressionado. Lembro, que o Telê Santana, apesar de montar uma máquina de jogar bola, era criticado antes da Copa de 82. O Jô Soares tinha até um personagem, o Zé da Galera, com o bordão “Bota ponta, Telê!”.
As críticas fazem parte, mas o Dunga não as aceita. Quase sempre é ríspido nas coletivas e ainda usa um discurso na linha “quem critica torce contra”. O técnico parece não entender que jornalista não tem que ir a uma Copa do Mundo para torcer, mas para informar e comentar aquilo que vê, com isenção.
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